Governo Provincial do Bengo

História

  1. Histórias e tradições dos Municípios do Bengo

    Município do Ambriz

    Até 1857 em Angola avia apenas três distritos: Luanda, Benguela e Moçâmedes. Depois criaram-se mais os distritos de Ambriz, Zenza do Golungo e Golungo Alto. Estes três últimos foram extintos em 1866. O Distrito do Ambriz que compreendia os concelhos de D. Pedro V e Encoje cuja sede era Ambriz existiu desde 1857 à 1866. O Distrito do Ambriz criado em 1855 era constituído pelos concelhos de Ambriz, Encoje, D. Pedro V, (Bembe) e o Comando do Congo (Posto militar de S.Salvador) existiu desde 1860 à 1870. Em 1856, foi criado o Presídio período em que foi também instalada a alfândega que começou a funcionar somente em Outubro de 1857. Em 1970, construiu-se um “fortim” à Norte do Ambriz, na foz do rio Lodge tendo sido demolido em 1971.


    A semelhança do Dande, Icolo e Bengo e Nambuangongo, Ambriz também foi concelho do Distrito de Luanda, com sede em Ambriz desde Fevereiro de 1971 compreendendo os postos administrativos de Bela Vista e Tabi.


    Ambriz já existia antes da cronologia imperial começar a funcionar, motivo que está na base da comemoração do 5 de Maio como data da sua fundação.

    Município de Bula Atumba

    Habitado por descendentes de varias regiões nomeadamente de Cazanga, Mbanza Congo e Ilha de Luanda, Durante o período colonial tinha a categoria de Posto administrativo do Conselho dos Dembos do Distrito de Salazar actualmente Kwanza Norte. Bula Atumba conquistou o estatuto de vila conforme consta da portaria nº14061, publicado no Boletim Oficial nº 50, em 13 de Dezembro de 1965.
    Bula Atumba até 1983 dependia administrativamente do Kwanza Norte, altura em que por força da Lei nº3/80, de 26 de Abril passou a integrar a província do Bengo.

    Município do Dande

    Em 1848, o Distrito do Alto Dande tinha a sua sede em Caxito. Em 1868 foram estabelecidas nesse território 4 divisões, a saber Icau, Caxito, Dande e Mabenda. Em 1702, na sequência da ocupação colonial a localidade próxima, o Sassa-Povoação é tomada sem qualquer resistência pelos portugueses e embriagados pela victória alcançada na famosa Batalha dos Dembos, conquistando os pequenos reinos limítrofes, como Banza Bungo, Zombo Macando e Sala Mubemba, tendo fixado fortaleza no Morro da Torre, no Nordeste do Icau. Depois da campanha dos Dembos, em 1872, a divisão do Icau tornou-se independente e nesse mesmo ano transferida a sede do Alto Dande para Quipiri tendo tornado a Caxito.
    As minas de petróleo e as rochas asfálticas começaram a ser exploradas por ordem do Governador Geral de Angola D. Francisco de Sousa Coutinho, segundo as instruções do Marques de Pombal, em 1768.


    Foi no Dande que se estabeleceram os primeiros fornos de cal de Angola por ser abundante na região a pedra caleária, não encontrada em outras regiões. Do Dande, a cal era levada para a primitiva fortaleza de Cabinda destruída pelos franceses. Em 1857, Dande com a categoria de concelho administrativo pertencia ao distrito de Luanda. Para a sua administração municipal foi reunido ao Icolo e Bengo sob a administração do Câmara do Concelho Principal do Zenza do Golungo. No entanto, como circunscrição civil pertenceu ao distrito de Luanda e para esse efeito, no Dande foram criados postos administrativos de Quinjanda e Barra do Dande, em 1913. Em Dezembro de 1914, Dande foi transformada em Comando Militar (inicio da primeira guerra mundial).


    Dande foi também um antigo concelho dividido em cabados e posteriormente em distritos. Mais tarde passou a divisão pertencendo sempre ao distrito de Luanda, mas em 1914 com a criação do distrito do Kwanza ficou anexado a este até 1919 (fim da primeira guerra mundial). Ainda em 1919, foi extinta a circunscrição do Dande que voltou a integrar Luanda e passou a Posto Civil em 1927 pertencendo ao Concelho de Luanda.


    O Alto Dande como anteriormente se chamava foi fundado como presídio, no período entre 1790-1792.


    As primeiras construções definitivas na cidade de Caxito datam de Janeiro de 1930, cuja intenção primária foi a de criar serviços para apoio aos fazendeiros e agricultores que se deslocavam para as zonas do triângulo (Dembos, Pango-Aluquém e Bula Atumba) e o Nambuangongo, zonas tradicionais de cultivo de café. Nesse período, foi novamente criado o Concelho do Dande constituído pelo Posto da Barra do Dande e a sede – Caxito que se tem conservado até hoje.


    No passado, Caxito era chamado Ndanji-ya-Mandele e Mabubas era chamada Kitala, a localidade de Sassa-Povoaçao, se chamou Tabu-dya-Kavile, enquanto que o Quipiri se chamou Tabu-dya-Mandele.
    O município do Dande até a década de 80, dependia administrativamente da província de Luanda. Por força da lei 3/80 de 26 de Abril de 1980 que criou a Província do Bengo, passou a ser um dos seus oito municípios.


    O município adapta o nome de um dos seus rios mais importante que passa pela sua sede e desagua numa das suas comuna –Barra do Dande. Caxito surgiu de um recinto aonde um grupo de caçadores e de pescadores exerciam actividades de comercialização de carne e peixe. Era uma área de passagem de emigrantes comerciantes vindos do Norte, que acabavam por aí se instalar.


    O nome “Caxito” é originário de uma palavra Kimbundu que significa “ um pedaço de carne” (ca-um pedaço, xito-carne). Segundo algumas autoridades tradicionais e pessoas naturais do município, aquando da chegada dos portugueses oriundo do reino do Kongo já existiam holandeses em Caxito, missionários jesuítas.


    Na era colonial, Caxito era sede de um conselho que dependia do então distrito de Luanda, e atendia os postos administrativo das Mabubas, Quicabo e de Porto Kipiri, Quibaxi-Quirimbo, Uma e Barra do Dande.
    Contava com fazenda de cana- de – açúcar, palmeiras, bananas, citrinos, café e pecuária. Possuía uma açucareira, fábrica de extracção de óleo de palma, louça sanitária e elásticos e algumas serrações.


    Tinha uma barragem hidroeléctrica em pleno funcionamento nas Mabubas, que abastecia Luanda.
    Segundo as autoridades tradicionais, o poder tradicional era constituído por dembos (a nível regional), Sobados (em todas as aldeias) e em grupo “parlamentar”.
    As relações de solidariedade mais marcantes entre a população eram a política, no apoio aos nacionalistas e a ajuda mútua no sistema de produção agrícola.


    O período que antecedeu a independência foi marcado pela fuga massiva das pessoas para Luanda e para o interior (matas), provocada pela guerra que assolava o país (apoiado por forças estrangeiras vinda de países vizinhos) e pela paralisação do comércio e da indústria, exceptuando a açucareira que se manteve em funcionamento até a década de 80.


    Apesar da insegurança e da restrição da circulação que se fizeram sentir no período pós independência, verificou-se o regresso de grande parte dos camponeses às suas áreas de origem, a massificação da alfabetização, o arranque dos II e III níveis de ensino, o funcionamento de três hospitais, a reactivação do comércio e o relançamento da produção agrícola.


    As fazendas de maior interesse económico passaram a Unidades Económicas Estatais (UEE) e as de menor porte passaram a cooperativas e/ou associações, porém com dificuldades de escoamento dos produtos. A agricultura de subsistência era praticada de forma individual.
    O conflito pós eleitoral, verificado na década de 90, provocou su

    cessivas “ fugas de pessoas” para Luanda, a destruição de infra-estruturas administrativas, com excepção da barra do Dande e a paralisação parcial da função pública.
    A situação do município, na altura, era caracterizada por destruição parcial da barragem e total da central hidroeléctrica das Mabubas e da ponte que ligava Luanda à Caxito, paralisação total da indústria, degradação das infra-estruturas sociais, produção agrícola limitada à subsistência. As mulheres jogaram um papel preponderante no sustento da família. Para além da agricultura praticavam actividades comerciais.


    Este período foi marcado ainda por uma grande presença de ONGs internacionais: AAA, ADPP, Médicos Mundi, INTERSOS, Médicos del Mundi, Movimondo e uma ONG nacional – a ADRA; por Organismo das Nações Unidas: OIM, PAM, UNICEF, FAO, OMS, PNUD, SECOR, PDHI; pela intervenção do FAO e pelo aumento do número de igrejas. Apesar da situação conturbada que o município vivia, foi instalado o emissor provincial da Rádio Nacional de Angola a Rádio Bengo, a ANGOP, o sinal da TPA e abertos os primeiros instituto médio.


    Com o advento da paz em 2002 e, consequentemente, a abertura das vias de acesso a população que se encontrava em Luanda e Caxito regressa voluntariamente ás suas áreas de origem, em busca de sobrevivência (agrícola e pesca), porem mantendo as suas residências nas cidades.


    A reposição da administração do estado em todas as comunas permitiu uma maior aproximação do poder público com a população a reabilitação e construção de infra-estruturas sócias básicas (saúde, educação, “pontes”), grandes números delas construídas pelo FAS e alguns complexos habitacionais para os quadros da função pública (com vista a permitir a sua permanência na província).

    História do Jacaré Bangão

    Quanto ao pagamento de imposto pelo Jacaré, uma história que o mundo conheceu, fontes orais afirmam que se tratou de uma pessoa que detinha poderes sobrenaturais que assim o procedeu.
    Tratou-se de um cidadão que morava na localidade da Açucareira que ao ser cobrado o imposto por um Cabo Civil mandatado pela Administração colonial, manifestou a indisponibilidade de pagar o imposto exigido na altura e, após a ameaça do Cabo Civil dirigiu-se até a outra margem do rio Danje, que passa nos arredores de Caxito onde contactou um velho de nome “Pacote Dya Ngongo”, a quem explicou o sucedido.


    Por seu turno, o velho Pacote Dya Ngongo responsabilizou-se do caso tendo usado o seu poder sobrenatural, “magia”, transformou-se em Jacaré levando o dinheiro na boca até à Administração junto a Rotunda onde funciona o Quiosque Kwando para pagar o referido imposto, o que obrigou a fuga dos trabalhadores daquela administração, que não conseguiram conter o medo e receber o dinheiro que o jacaré levava.


    Uma outra fonte, referindo-se a mesma história disse que se tratava de um homem que morava na localidade da Barra do Dande, de nome “Ngandu”, cuja sua bravura e tenacidade contra actos colonialistas portugueses eram bastante conhecidos pelo povo e até mesmo pelos colonos na região que depois de muita perseguição, devido a sua desobediência aos costumes da administração colonial no que respeita ao pagamento de imposto obrigatório, resolveu um certo dia dirigir-se a referida administração colonial portuguesa a fim de pagar o seu imposto, transformando-se em Jacaré (animal que vive em águas doce), daí a história que andou pelo mundo segundo a qual o Jacaré Bangão pagou o imposto.

    Município dos Dembos

    Sob o primeiro governo de Norton de Matos (1912-1915), foi publicado um regulamento administrativo no qual Angola passou a compor-se de 35 circunscrições civis, 25 capitanias e 11 concelhos, onde Dembos tinha categoria de Capitania-Mor do distrito de Luanda.


    Essa divisão permaneceu até a reforma administrativa de 15 de Agosto de 1914, passando depois a integrar o distrito do Kwanza Norte.
    Desde 1950 que se tentou a pacificação dos Dembos, com os potentados de Ambuila, Ambuela e Nambuangongo e os povos que desciam da Jinga e Mataba. Só a partir de 1963, se tornaram efectivas as relações entre portugueses e os Dembos, nos territórios entre o Dande o Zenza, pelas duas margens do Lombije. Estes territórios constituíam dios distritos: Encoje , ao Norte do Dande e Dembos, para o Sul deste rio.


    O Distrito dos Dembos foi desmembrado do Golungo em 1810, ficando assim a constituir uma regência à parte sob a autoridade superior do Golungo Alto. Só a partir de 1848 é que o Distrito se passou a chamar província dos Dembos. A organização administrativa de 1857, inclui os Dembos no número dos concelhos e pela organização de 1868, eram atribuídos, a este Concelho apenas três divisões: Ngombe-à-Hâmbua, Canguenha e Cassetola.


    Em 1872, os Dembos revoltaram-se, foram batidos, bem como em 1890, então pelas forças de Pedro de Sousa. Em 1 de Setembro de 1890, é nomeado para os Dembos, um delegado do Governo, com atribuições de Chefe de Concelho. Em 1906, torna a haver revolta dos Dembos, que foram batidos por João de Almeida. Estabeleceu-se então o Posto de Castendo. Depois disto, foi o próprio governador Paiva Couceiro quem organizou uma coluna contra os Dembos. A organização administrativa de 1911, passou a considerar os Dembos como circunscrição, mas a de 1913, restabeleceu a capitania fixando a sua sede em caculo-Cahenda. Em 1919, volta a haver nova revolta dos Dembos e foi então a coluna do comando do capitão Ribeiro de Almeida que os derrotou e submeteu de vez. A Capitania-mor dos Dembos, foi transformada em Circunscrição com o nome de Administração da Circunscrição dos Dembos, em 28 de Julho de 1921, mas só foi instalada em 24 de Setembro de 1921, tendo então, por sede, o local de Quibaxi.


    Quibaxi havia sido criado como posto Militar dos Dembos por Portaria nº127, de 25 de Maio de 1919, publicado no Boletim Oficial nº17.


    Em 1 de Setembro de 1971, foram desanexados dos Dembos, os postos de Pango Aluquém e Cazua por Diploma Legislativo nº4153 e publicado no Boletim Oficial nº206.
    O município dos Dembos com sede em Quibaxe foi concelho do Distrito de Kwanza Norte até a Independência em 11 de Novembro de 1975. Permaneceu agregado ao Kwanza Norte até 1983 altura em que passou a fazer parte da província do Bengo. Elevado a categoria de vila em 1921, pela Portaria nº57.

    Município de Nambuangongo

    Conferida pelo nº11 do nºI da base XI da lei Orgânica do Ultramar português, a sede do Posto de Nambuangongo, do Distrito de Luanda passou-se a chamar Vila General Freire, a partir de 15 de Novembro de 1962.
    A 18 de Fevereiro de 1963, Nambuangongo foi elevado a categoria de Concelho.
    A semelhança do Dande, Icolo e Bengo e Ambriz, Nambuangongo, também foi concelho do Distrito de Luanda, criado pela Portaria nº19502 Diário do Governo nº46/63, de 23 de Fevereiro, publicado no Diário nº263 Iª Série, de 15 de Novembro de 1963.

    Município de Pango-Aluquém

    O território que constitui, hoje, o município de Pango-Aluquém, antes da penetração e ocupação colonial, era habitado por duas (2) tribos, nomeadamente, os Kimbundos e Loangos.
    Chegada dos Kimbundos
    Os povos Kimbundos que povoam actualmente o Município de Pango-Aluquém são provenientes da Ilha de Luanda.
    Com efeito, na face de disputa da cidade de Luanda, entre Portugueses e Holandeses, uma família de Guerreiros chefiada por um Dembo Guerrilheiro de nome Cazua-Ngongo, solicita ao Reino Ngola Kiluanje a saída desta cidade para outras paragens com vista a conquista de melhores condições de subsistência.
    Na caminhada, a caravana passa pelo Caxito, onde o Dembo Nambuangongo, irmão mais velho de Cazua–Ngongo, separa-se do grupo e dirige-se ao Norte.
    Um contingente deste grupo preferiu instalar-se em Icau, onde Salambemba, o irmão menor de Cazua-Ngongo foi empossado ao grau de Soba da área.
    Tomando via contrária, Cazua-Ngongo, descendo para Sul-Este, coloca um dos seus parentes, Hesso Anâmbua, como Dembos nas terras do actual Gombe-Ya-Muquiama.
    Prosseguindo a sua marcha, instala o Soba Sassa Calomba, as terras actuais e Kaculo-Kahenda nas proximidades de Bula-Atumba.
    O próprio Dembos Cazua-Ngongo fixou-se nas actuais paragens, da Comuna de Cazua-Ngongo, tendo sob o seu controlo trinta e duas (32) Sanzalas. O seu território abarcava as actuais áreas de Gombe-ya-Muquiama, antes Hessó-Anâmbua, o Icau e Kaculo Kahenda sendo postos avançados contra a ocupação colonial.
    O Símbolo do poder era a Kijinga, acompanhado de vestes de pano e um Mbaçá bem como sineta que significava carimbo e Bandeira.


    Chegada dos Kimbundos do Gombe-ya-Muquiama


    Gombe-ya-Muquiama,é o verdadeiro nome e significa rebelde.
    Trata-se de duas (2) raparigas que haviam sido levados pelos Holandeses, ao saírem de Luanda, e abandonadas no Reino do Congo. Neste novo território, as duas raparigas Kimbundos casaram com os filhos do Rei, tendo sido resultado na tribo Ngaji, conhecendo a sua origem, a família Ngaji decidiu regressar a procedência, usando como sinais para identificação, a língua Kimbundo e o som das trombetas características dos habitantes provenientes da Ilha de Luanda.
    Ao surgir nas anteriores terras do Hesso Anânbua, entram em violentos combates e o Dembo Cazua-Ngongo em defesa do Hesso –Anânbua que descobre que os inimigos eram pessoas da mesma família.
    Assim, decide retirar Hesso-Anâmbua para instalar definitivamente os recém-chegados, cujo apelido serviu para designar o local Gombe-ya-Muquiama.

    Chegada dos povos Loangos

    Nos tempos remotos, o reino do Congo, mormente na localidade de Loango, na actual Província de Cabinda, três (3) irmãos, designadamente, Mpango-Aluquém, Njimbo-Aluquém e Nzambi-Aluquém, por solicitação da autoridades tradicional da região dos Dembos foram mandatados pelo tio Nimi-Aluquém para a região(dos Dembos).
    Após o cumprimento exitoso deste dever, em retribuição, os autóctones ofereceram bandas de terra aos irmãos chegados. Assim, coubera a eles as actuais terras de Njimbo-Aluquém, na comuna de Cazua-Ngongo; Nzambi –Aluquém,no Kilombo dos Dembos; Nkoxi, nos Dembos, Kiaji, comuna do Bula-Atumba; e finalmente, ao primogénito, de nome Mpango-Aluquém, coube as actuais terras situadas na região dos Dembos circundades por Gombe-ya Muquiama,Dungo, Cazua-Ngongo e Combe.
    Penetração e Ocupação do Município pelos Portugueses
    Os portugueses ávidos de colonizar Angola, por força de armas foram conquistando e ocupando as terras Angolanas e submetendo os seus povos a colonização. Todavia, no território do Município de Pango-Aluquém o exercito colonial deparou-se com uma forte resistência dos Guerrilheiros de Cazua –Ngongo.

    Resistência de Cazua-Ngongo.

    A primeira incursão portuguesa nesta região foi registada em 1872, quando a coluna comandada pelo Tenente Coronel João de Almeida, trava a 24 de Julho os primeiros combates contra os guerrilheiros chefiados por Kibalandende, o então Dembos de Cazua-Ngongo que, no mesmo ano, veio a falecer por doença.
    Nessas batalhas, os bravos Guerreiros de Cazua-Ngongo capturam a senhora Riqueta, esposa de um fazendeiro denominado Silva, na baixa colume, hoje Santa-Teresa. A mesma senhora, mais tarde, casa-se com o Dembo Kamuango-Kangongo, substituto do Kibalandende.
    Em Junho de 1908, por ordens do Tenente Coronel Almeida Valente, o forte de Maravilha transitou para Cazua-Ngongo, passando a chamar-se posto militar de Cazua-Ngongo que se extinguiu em 20 de Junho de 1922, consumada a ocupação completa dessa terra.
    Penetração na actual sede e estabelecimento do Posto Administrativo.
    Conquistada Cazua-Ngongo, o colonialista português na prossecução da sua missão, logrou facilidade na penetração e ocupação do território de Pango-Aluquém.
    Nesta nova resistência, da parcela, o colonizador estabeleceu a sua sede que baptizou por Pango-Aluquém que mais tarde em 1919,serviu o nome de posto Administrativo.
    A partir da sua sede, estendeu-se duma forma pacífica a sua influência para outras áreas, tais como Gombe-ya-Muquim, Hesso-Anâmbua, Dungo e Quita.
    Criação de Fazendas do Café e a Chegada dos Ovimbundos
    Terminada a fase de ocupação, os colonialistas com o intuito de desenvolver a Economia para o sustento do Metrópole, criaram vastas plantações de café e denominadas fazendas ocupavam 98% (noventa e oito porcento) de superfície do actual Município.
    Havendo necessidades de angariar mão-de-obra barata, os colonialistas foram contratando os Ovimbundos, que mais tarde, após a Independência, fixaram-se neste território, constituindo, deste modo, a terceira tribo do Município.

    Conversão de posto Administrativo em Conselho

    Decorridos vários anos, a população cafeícola atingiu o seu apogeu, constituindo a base da economia do posto Administrativo de Pango-Aluquém. Comparando os indicadores da produção de café, verificou-se que o posto Administrativo de Pango-Aluquém superava a produção do conselho dos Dembos. Então, perante essa ascensão Económica, Administração Colonial achou melhor conferir ao posto Administrativo de Pango-Aluquém o estatuto do conselho Administrativo em 1971, dia 01 de Setembro, conforme o Diploma Legislativo nº4153,publicado no boletim oficial nº206,Iº série.
    Surgimento do posto Administrativo de Cazua-Ngongo
    Em consequência do estatuto do conselho Administrativo conferido ao posto Administrativo de Pango-Aluquém achou-se por bem por parte da entidade colonial, transformar Cazua-Ngongo em posto Administrativo, facto que ocorreu em 1922.

    A paz e o crescimento da província

    Após três décadas de conflito armado, tal como o País, a província também ressentiu-se.
    Com a conquista da paz tornou-se possível reverter os enormes recursos consumidos no conflito militar para sectores sociais e deste modo impulsionar o desenvolvimento e o progresso;


    Com o advento da paz estabilizou-se a desagregação populacional, fixando-as nas suas zonas de origem, com garantias de segurança e condições para desenvolver as suas actividades profissionais e com isso ser possível o funcionamento regular das instituições e tornou possível o exercício continuado de planos e acções governativas.


    Desta forma, diminuiu-se rapidamente o risco associado ao investimento produtivo, tornando-o, por isso, mais fácil e mais atractivo.


    A nível social vários empreendimentos públicos nasceram nas zonas até aqui de difícil acesso e com isso melhorou-se a vida das populações que até então desconheciam factores tão elementares como água potável, posto médico e de socorro e casas comerciais de venda de produto de primeira necessidade e transportes para centros urbanos e administrativo.